Editorial da "The Lancet" trata da epidemia de opióides durante pico da pandemia da Covid19 nos EUA
- Observium UFRJ
- 30 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
O editorial nomeado ‘’Um momento de crise para a epidemia de opioides nos EUA’’ chama a atenção para os dados divulgados pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos Estados Unidos em 14 de julho mostrando um aumento acentuado no número de óbitos por overdose relacionadas a opioides no país.
Durante o pico da pandemia de COVID-19 nos EUA, entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020, houve um aumento de 29,4% nestes óbitos, equivalente a cerca de 255 mortes por overdose por dia (mais de 93.000 mortes no período citado). Ainda não se sabe ao certo o que levou a esse aumento, mas é provável que interrupções nos serviços de tratamento disponíveis e uma redução no acesso às práticas de redução de danos, como o fechamento de locais de injeção seguros, tenham desempenhado um papel importante.
A chamada ‘’crise de opioides’’, declarada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (DHHS) dos Estados Unidos apenas em 2017, está atrelada a um triste histórico para o país norte-americano que, desde meados da década de 1990, já registrou mais de meio milhão de óbitos por opioides, ‘’alimentados’’ por diversos fatores, como a recessão econômica, ganância corporativa e mudança de atitudes sobre o controle da dor.
O Brasil também sofre com essa crise. O artigo ‘’Tendências crescentes de vendas de opiáceos prescritos no Brasil Contemporâneo, 2009–2015’’, publicado em 2018 no American Journal of Public Health (AJPH) aponta que de 2009 a 2015 houve um aumento de 465% no número de prescrições médicas de opiáceos vendidos nas farmácias. O direcionamento a ser dado a essa epidemia de opioides exige enxergá-la por novos ângulos, bem como políticas atualizadas e equitativas como resposta.

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