Como o nacionalismo pode interferir na vacinação?
- Observium UFRJ
- 14 de set. de 2020
- 1 min de leitura

No dia 27 de julho, o Observium publicou sobre o COVAX, mecanismo projetado para acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso equitativo aos testes, tratamentos e vacinas para COVID-19 em todos os países do mundo. Entretanto, sem uma participação séria de grandes potências mundiais, teme-se que o que aconteça seja a manutenção de um padrão já visto em outras pandemias: primeiro os países poderosos têm acesso à vacina, para depois atingir outras populações, como aconteceu na pandemia de influenza H1N1. O editorial da revista Science de agosto discutiu o "nacionalismo vacinal’’, que estaria mais evidente do que a preocupação com a cooperação em saúde. Os países com recursos não subordinaram as suas necessidades e capacidades a um objetivo mundial. Com isso, o nacionalismo prejudicaria o que a ciência e a diplomacia em saúde poderiam alcançar: acesso global e equitativo a medicamentos e vacinas. De acordo com o editorial, se esse padrão persistir, as vacinas poderão eventualmente atingir grande parte da população mundial, mas apenas depois que a população dos países ricos e poderosos estiver protegida. Um exemplo desse nacionalismo vacinal seria a vacina da Oxford. Antes da aprovação da vacina já foram encomendadas ao menos 2,94 bilhões de doses, sendo que mais de um terço destas foi comprada por alguns países europeus (como o Reino Unido), pelo Japão e pelos Estados Unidos. Fontes:
https://www.nature.com/articles/d41586-020-02594-w https://science.sciencemag.org/content/369/6505/749